Preconceito, 5 km & Caminhada

Se perguntarem se você é preconceituoso, tenho certeza que dirá que não. A palavra soa até ofensiva. Mas quase todo o ser humano é preconceituoso, pois o pré conceito significa ter uma ideia antecipada de algo. Qualquer coisa que nos falarem iremos tentar imaginar, e visualizar, e ter alguma ideia rascunhada sobre aquilo. Portanto, estaremos formando uma imagem antecipadamente, um preconceito. Dito isso, vou contar aqui alguns preconceitos que tinha e que a vida me ensinou a abandoná-los.

Já corri inúmeras provas, desde as de curta distância até maratonas. Em épocas de treinos para maratonas costumava desdenhar das provas curtas. Não entendia como alguém podia se inscrever para uma prova de 5 km, por exemplo. Nem mesmo de 10 km. Costumava dizer que não tirava o carro-corpo da garagem por menos de 21 km, que aquelas pequenas distâncias eu fazia como treino leve. Porém, depois de fazer várias corridas longas, passei a curtir treinos e provas curtas, sem tempo, sem stress, apenas para manter a saúde. São provas divertidas, em clima de família e confraternização. Em uma delas cheguei a encontrar inclusive um antigo amigo, que não via há anos, e por pouco não ficamos batendo papo durante a prova.

Assim também foi com a caminhada. Tive um problema de saúde e fiquei mais de mês sem poder fazer nada de exercício. O médico recomendou que eu voltasse de leve, e por isso resolvi caminhar. Estou dando boas e longas caminhadas e descobri que, diferente da corrida, a gente pode observar melhor as coisas, as pessoas e descobrir a cidade na caminhada. Tudo passa mais devagar, enquanto o pensamento voa. É fantástico! E eu, que passava correndo por caminhantes e não entendia como alguém se contentava com aquilo, em vez de correr, que considerava muito mais legal?!

Para finalizar, posso dizer que hoje, quebrando esses preconceitos, me sinto mais livre. Posso escolher correr uma maratona, ou meia, ou 5km, ou caminhar… ou, quem sabe, não fazer nada. Preconceito, todo mundo tem, mas trabalhar o preconceito é o que nos liberta. Às vezes, nem é preciso optar. Podemos ficar com todas as alternativas válidas. Na corrida, na caminhada e na vida.

Meia e Maratona do Rio de Janeiro

Em 2017, a Maratona CAIXA da Cidade do Rio de Janeiro completa 15 anos. A tradição e a excelência da prova, além do cenário único pela orla carioca, ajudaram a colocar o evento entre os melhores de sua categoria no mundo. O número recorde de inscritos consolida a Maratona do Rio como a maior corrida de rua do Brasil e uma das mais desejadas do calendário mundial.

No ano de 2003, data de estreia da Maratona do Rio, a corrida Rio contou com três mil corredores. Esse ano, serão 33 mil pessoas. A Maratona CAIXA da Cidade do Rio de Janeiro 2017 acontecerá dia 18 de junho e integra o calendário oficial de eventos e datas comemorativas da cidade do Rio de Janeiro. O evento é realizado e organizado pela Spiridon Eventos e pela Dream Factory.

A Olympikus, maior marca esportiva do Brasil, renovou por mais três anos o contrato de patrocínio como marca esportiva oficial da Maratona da Cidade do Rio de Janeiro, da qual já é parceria desde 2011. A partir desta edição, também passa a assinar o naming right da Meia Maratona, de 21 km, após dar nome à Family Run (6 km) por seis anos.

O diretor de Marketing da Olympikus, Rafael Gouveia, explica a importância de estar associada a uma das principais competições do Brasil e do Mundo. “A Maratona do Rio é uma das provas mais bonitas e desejadas do mundo. Além disso, a Olympikus tem investido cada vez mais na tecnologia do produto e está pronta para uma performance de 21km”.

O evento, que está em sua 15ª edição, reunirá 33 mil pessoas na orla carioca, dia 18 de junho de 2017, dividido em três distâncias: Maratona Caixa da Cidade do Rio de Janeiro (42km), Meia Maratona Olympikus (21 km) e Family Run (6Km). Em 2017, o evento deve movimentar mais de 200 milhões de reais na economia da cidade e envolver aproximadamente 4 mil pessoas na organização, entre staffs, órgãos públicos e profissionais de saúde.

Sobre a Olympikus – A Olympikus é a maior marca esportiva do Brasil. Mas isso não ocorreu do dia para a noite. A marca possui uma longa relação com o esporte brasileiro. Sempre acreditou e investiu em atletas de todos o país, além de desenvolver novas tecnologias para melhorar a performance de cada um.

Mais informações:
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Site: www.maratonadorio.com.br

Mountain Do – Da Praia do Rosa ao Deserto do Sahara

Mountain Do está entre as provas mais interessantes que já corri. Pontos para a infraestrutura, destinos escolhidos – verdadeiros cenários de contemplação -, e a criatividade dos roteiros. Neste ano, segue a oferta da conhecida e encantadora prova na Praia do Rosa, em Santa Catarina (onde corri em 2016). E agora, em primeira mão, o Mountain Do Deserto do Sahara (19 NOV 17), no Marrocos, África. Com certeza, será mais um grande desafio para a organizadora #SportsDo e para os amantes de uma corrida desafiadora e bem planejada. Ficou a fim? Dá uma olhada nos links, assista ao vídeo aqui no post, confere o bolso e… go for it!

“Minha corrida é movida pelo amor”, por Paula Menezes

Paula Menezes nunca foi fanática por corrida. Considerava, inclusive, o esporte uma opção para quem não tinha habilidade para outros. Em um congresso, nos Estados Unidos, ela conheceu uma equipe de corrida voltada para uma causa da saúde, sua área de atuação. De volta ao Brasil, Paula abraçou com ainda mais força a causa da Hipertensão Pulmonar e se viu às voltas com os preparativos para a sua Ultramaratona de 75 km. A primeira e última, segundo a história de superação que ela mesma conta em “Minha Corrida”, para o Blog de Corrida. Participe! Mande você também a sua história para: blogdecorrida@gmail.com

 

Por Paula Menezes

A prova de 75km foi em outubro e somente agora, em fevereiro, consegui parar e escrever sobre a minha trajetória. Acho que foi tudo tão intenso e desgastante que eu precisava de um tempo para organizar as ideias.

Todos que me acompanham na Abraf sabem da minha entrega a esta causa. Por mais difícil (algumas vezes, quase impossível) que seja conciliar toda a minha rotina, pessoal e profissional, com a Abraf, sempre que me proponho a realizar um projeto da associação, mergulho de cabeça. E, com o Team PHenomenal Hope Brasil, não foi diferente.

A proposta do projeto era uma loucura: treinar 11 meses para conseguir correr 75km. Olhando para trás, com a experiência que tenho hoje em corrida (pouca ainda, mas intensa), por tudo que vivi, li e conversei com outros atletas, entendo que o processo de amadurecimento para alguém se tornar um ultramaratonista leva muito tempo. Certamente, não recomendo a ninguém seguir o atalho e querer, de cara, tornar-se um ultramaratonista. Não é saudável, mental e fisicamente. Como dizem, a ignorância é uma bênção mesmo.

Apesar de nunca ter sido sedentária, a modalidade “corrida”nunca foi meu esporte. De forma preconceituosa, assumo, achava a corrida a opção do ex-gordinho, que nunca se deu bem com bola, do inseguro, que nunca teve grande aptidão para educação física e, de repente, corre mais do que seus amigos, ou do carente, que não tem sempre uma boa programação para sexta à noite, e arruma uma turminha para correr no sábado de manhã. rsrs Não conseguia entender como alguém fazia tanto esforço pela corrida “por prazer”.

E, como nessa vida a gente paga a língua mesmo, em pouco tempo me vi abdicando das sextas-feiras, das festas, dos encontros de amigos, para o quê? Para correr. Eu, particularmente, sou muito disciplinada e focada em tudo que realizo. Não preciso amar algo para me dedicar a realizá-lo. Quando se trata de uma tarefa necessária, eu não me importo se gosto ou não. Simplesmente realizo. E, claro, com a corrida não foi diferente. Nunca gostei de correr, mas, a partir do momento que aceitei o desafio, eu simplesmente corria e entregava o meu treino. Não vou negar que, conforme vai-se evoluindo, você vai pegando gosto. Mas não consigo afirmar que a corrida virou uma paixão, porque, durante o ano todo, eu a tratei como uma obrigação.

Por conta do alto volume de treinos, em pouquíssimo tempo, me lesionei e tive fratura por stress nas tíbias. Algumas vezes a dor era tão forte que não conseguia nem caminhar. Em uma situação normal, sem pressão, eu simplesmente daria um tempo da corrida para o corpo se recuperar. Mas, com o relógio correndo contra mim, com poucos meses de treino, com os “75km martelando na minha cabeça”, dia e noite, todas as vezes que a dor vinha, eu me desesperava, com medo da possibilidade de não evoluir a tempo do grande desafio.

Para resolver as dores e as lesões, me consultei com todos os especialistas possíveis, tomei todos os remédios do mercado e comprei várias bolsas de gelo para as dores do pós-treino. Eu praticamente vivia entre ortopedista, fisioterapeuta e osteopata. Foram muitas, muitas consultas. Houve épocas em que melhorava e praticamente não sentia dor. Aí me empolgava nos treinos e logo machucava de novo. Essa montanha-russa durou quase o ano todo.

Faltando uns 3 meses para o grande desafio, após várias sessões de fisioterapia no Instituto Osmar de Oliveira, eu me sentia bem melhor. Estava criando confiança novamente e muito focada. Eu contava os dias e planejava quantos km eu tinha que evoluir a cada semana. Com o cronograma era curto, não podia falhar.

Já que alegria de lesionada dura pouco, 10 dias antes da prova, em um treino de 4 horas na USP, senti uma dor estranha e muito forte no joelho (como uma faca entrando na lateral do direita). Acho que você pode imaginar o tamanho do meu desespero. A lesão na tíbia eu já havia aprendido a lidar, mas ganhar um problema novo a 10 dias da prova era muito azar.

Fiquei arrasada e corri para o médico, que me diagnosticou com atrito da banda iliotibial. A solução mais rápida? Injeção de corticoide, anti-inflamatório e fisioterapia. Logo eu, que tenho pânico de agulha (nunca havia tomado nenhuma injeção que não fosse vacina até então), tive que encarar essa. Fiquei na porta da farmácia dando voltas várias vezes antes de entrar, mas, por ser algo tão necessário, me rendi à injeção na reta final.

Minha confiança foi derrubada, mas eu tinha que me manter focada. Fui à fisioterapia todos os dias, treinava na bike e, pouco a pouco, comecei a me sentir melhor. Eu até estava ficando confiante de novo quando, 3 dias antes da prova, senti uma dor no mesmo joelho, mas do lado de dentro. Fiquei em pânico, sem acreditar naquilo. Já não dava mais tempo de fazer uma fisioterapia intensa e o meu médico só poderia me atender na outra semana (aí já teria passado a prova).

Sem saber o que fazer, decidi ir para um hospital me consultar com um ortopedista. O diagnóstico foi tendinite da pata de ganso. O médico era super conservador e ficou uns 10 minutos tentando me convencer a não correr os 75km. Ele me deu um certo sermão, enquanto eu tentava não chorar e ser educada com ele. Mas chegou a um ponto que eu precisei ser clara: “Deixa eu te explicar uma coisa. Eu treinei o ano todo para a prova. Eu tenho uma ligação emocional que não vai me deixar desistir disso agora. Você está perdendo o seu tempo. Eu não vim aqui para mudar a minha meta, mas para tomar algo forte que me dê uma sobrevida imediata para a corrida. Se você não me der, eu vou de hospital em hospital até achar alguém que me ajude”.

Tomei outra injeção e ganhei uma receita de um anti-inflamatório mais potente do que o que estava tomando. Voltei para casa muito triste. Prestes a encarar o maior desafio da vida, eu estava com fratura por stress na tíbia, atrito da banda iliotibial e tendinite da pata de ganso.

Por incrível que pareça, no dia da prova, eu até me sentia melhor. Como estava sem treinar já há uns dias, não tinha dores.

A poucos minutos da largada, eu estava muito nervosa. Simplesmente não acreditava em tudo aquilo que tinha realizado até aquele momento, duvidava um pouco do meu preparo e sabia que as próximas horas seriam muito difíceis.

Lembro do Ricardo tentando fazer graça para mim na largada, mas ele mesmo estava apavorado e acabei rindo do seu desespero. Ele sempre me apoiou durante todo o processo. Nossas conversas infinitas à noite na cama me davam força, quando eu chorava e ficava arrasada por sentir tanta dor e ter medo de não conseguir atingir o objetivo. Ele celebrou cada vitória minha: quando, nos treinos, completei 10km, 21km, 42km. Ele embarcou comigo nessa loucura e foi fundamental, em todas as etapas, para eu não desistir. A empolgação dele com os equipamentos, roupas, provas me dava energia e transformava o processo em algo mais leve. Mas, naquele momento, ele também estava abalado, e apenas um abraço e um beijo bastaram para eu me sentir apoiada.

Finalmente a buzina tocou e partimos. De uma hora para outra, entrei na prova, foquei e já não estava mais abalada com o nervosismo. O primeiro trecho era na areia e achei tranquilo. Na sequência, veio a serra de Maresias, que é horrível, íngreme e longa. Porém, como eu já sabia o que esperar, me preparei para isso: sofri bem menos do que imaginei.

Subidas nunca foram o meu forte. Mesmo caminhando, perco o ritmo. A maioria das pessoas subiu a serra caminhando, para se poupar para o resto da prova. Além do mais, chovia bastante e o chão estava escorregadio.

Subi, subi, subi, até que vi, finalmente, uma placa: “verifique os seus freios”. Foi a M-A-I-O-R alegria, pois isso significava que a descida havia chegado. E na descida é só soltar o corpo ladeira abaixo. Recuperei bastante o meu tempo, descendo mais rápido, atenta ao chão escorregadio, mas sem medo de soltar o corpo. Lembro da música que estava tocando no ipod: “Don’t stop me now”, do Queen.

Como alegria de lesionada dura pouco, ao final da descida, quando dei uma freada para fazer a curva em direção ao primeiro PC (posto de controle), senti uma fisgada muito forte no joelho. A sensação era de uma faca entrando pelo lado de fora do joelho cada vez que eu tentava correr. Ou seja, a mesma dor que senti na USP. Era o atrito da banda iliotibial me atormentando novamente.

Por alguns segundos, fiquei totalmente em pânico. Não podia acreditar que a lesão não tinha melhorado. Tudo bem que fazia apenas 10 dias que estava em tratamento, mas eu vinha me sentindo bem melhor. O que eu não havia percebido é que, na verdade, nos últimos 10 dias, eu já vinha diminuindo muito o ritmo de treino (para poupar o corpo para a prova). Então é claro que eu não sentia dores, pois praticamente corria apenas de forma leve ou caminhava.

Ainda faltavam 65km para terminar a prova e eu já sentia uma dor insuportável. Comecei a pensar o que eu poderia fazer para contornar aquilo e lembrei que o médico havia me dito que o causador dessa lesão é o movimento repetitivo de alavanca da perna. Isso aumenta o atrito e causa a lesão. Ele exemplificou: uma pessoa sedentária faz essa alavanca, por exemplo, 200 vezes ao dia. Uma pessoa que treina como eu faz a alavanca 3000 vezes ao dia. É óbvio que o desgaste é maior.

Com essa informação guardada na cabeça, tive a ideia de evitar dobrar o joelho direito, pois, assim, não faria o atrito e não sentiria dor. Dei os primeiros passos com a perna direita reta e apenas alavancando com a esquerda e percebi que a dor amenizava. Pronto, era assim que eu ia correr os próximos 65km, meio torta, ainda com dor, mas, pelo menos, eu não desistiria da prova.

Em se tratando de corpo humano, nem tudo funciona como queremos. Às vezes eu acabava jogando peso na perna machucada, dobrando o joelho e doía muito. Mesmo eu travando a perna na sequência, a dor não passava na hora. E aí comecei a entoar um mantra para me acalmar: “a mente controla o corpo“. Eu repetia sem parar. Não sei se era o mantra ou o corpo, mas a verdade é que, em muitos momentos, eu esquecia da lesão e não sentia nada.

Quando completei 20km, eu comecei a me sentir muito mal do estômago. Era visível que ele estava estufado, pois dava para ver o inchaço pela blusa. Minha barriga começou a inflar e nada digeria. Como minha nutricionista havia dado 2 opções de suplemento com a mesma equivalência de carboidratos (2 bisnaguinhas e meia ou 1 carbogel manipulado de acordo com a minha composição corporal), eu decidi evitar a bisnaguinha e tomar o gel. Assim, me manteria suplementada a cada meia hora como planejado, mas conseguiria diminuir o inchaço até que tudo comido fosse digerido.

Segui tomando o gel, mas, mesmo assim, a barriga e o desconforto só aumentavam. Eu percebia que a comida estava na garganta, sabe? Não sei se essa indigestão foi fruto de nervosismo ou do Imosec que tomei antes da prova, ou dos dois juntos. Só sei que meu corpo não digeria mais nada.

Quando completei 30km, a minha equipe de apoio não me encontrou no PC. Isso significava correr até o km42 sem água e com apenas 1 carbogel extra, acompanhada de indigestão e dores terríveis no joelho. Comecei a pedir “doações” pelo caminho, e ganhei 1 gatorade e 1 pouco de água. Ao invés de me desesperar, naquele momento, enxerguei a situação como algo positivo. Pensei: “quando chegar no próximo PC, terei completado 1 maratona, com muita dor, muito mal estar e mal suplementada. Isso só vai me fortalecer ainda mais”.

Eram 14km de areia apenas. Eu, as dores e nada. A certa altura fui tomar o gatorade e vomitei. Tomava água e vomitava. Nada parava dentro de mim. Então comecei a pensar como contornar aquela situação. Lembrei da minha nutricionista dizendo que, mais do que seguir à risca o planejamento alimentar, eu tinha que escutar o meu corpo. Portanto, ao invés de me alimentar a cada 30 minutos como planejado, eu decidi me alimentar a cada 45 minutos, para tentar dar mais tempo à digestão.

A sorte foi que o Heitor, que estava fazendo apoio para o Ricardo de bicicleta, pode voltar e me dar um remédio para indigestão e água. Aquilo aliviou um pouco, mas longe de estabelecer o status quo.

Nos momentos de maior desespero, eu entoava meu mantra e lembrava da razão daquilo tudo. Mentalizava que o meu propósito era muito maior que a minha dor, e que havia pessoas maravilhosas (pacientes, amigos e familiares) me esperando na linha de chegada. Era simplesmente inaceitável me render àquela adversidade. Eu seguia a cada passo me fortalecendo mais.

A minha playlist era a mesma dos treinos. Então, ao ouvir as músicas, buscava resgatar tudo que havia passado no último ano me preparando para o desafio, o que aquele gesto representava para os pacientes, quantas pessoas maravilhosas foram colocadas na minha vida, quantas mais se engajaram com o projeto. Lembrava da minha mãe, sempre guerreira, dizendo que ia vencer a Hipertensão Pulmonar, pois ela era muito maior que o pulmão. Imaginava o que ela sentiria ao me ver cruzando a linha de chegada, quão orgulhosa ela estaria se pudesse presenciar isso.

Pouco a pouco, ia avançando, sozinha, refletindo… O mar me traz muita reflexão. Quando minha mãe morreu, eu e meu pai fomos para o RJ passar uns dias, e eu ficava horas na praia, sozinha, olhando para o mar. Como a prova tem muitos trechos à beira mar, foram várias horas refletindo sobre a vida e o propósito daquela corrida.

A cada km, o mal estar físico só aumentava. No km50, eu estava à beira de um colapso: muito inchada, sem conseguir me alimentar, com dores em tudo. Eu não percebia que a minha saúde estava debilitada. Realmente não passou pela minha cabeça que a minha vida poderia estar em risco.

Acho que o fato de não admitir desistir me cegou. Eu sempre dizia que só pararia de correr se morresse. E levei à risca na prova. O meu pensamento sempre foi que aquilo tudo era para honrar os pacientes e passar coragem a eles. Eles não podem desistir, pois a desistência significa a morte. Eu, portanto, não poderia me dar a chance de parar. Eu tinha que vencer os meus limites, assim como os pacientes. Eu sabia que cruzar a linha os faria se sentir amados, representados e daria a eles um novo fôlego para continuar lutando diariamente. Eu precisava proporcionar isso a eles. Fazê-los entender que estou junto nesta luta, de corpo e alma.

Apesar de eu não estar correndo tão rápida, me encontrava muito ofegante. A Marina entrou para ser minha pacer nos últimos 25km e foi me acalmando. A entrada dela foi perfeita, pois pude fazer a maior parte da prova sozinha, com minhas divagações sobre a vida, mas, à beira de um colapso, pude delegar a alguém a preocupação com a prova. Lembro de falar para ela que ditasse o ritmo, e pedi apenas que me entregasse a tempo.

Assim ela foi dando as coordenadas de quando correr, quando caminhar etc. Ela foi me incentivando, sendo solícita aos meus pedidos de água, comida… No km65, eu praticamente não conseguia mais falar. Estalava os dedos quando queria chamá-la e fazia o sinal do que queria: água, comida, baixar o ritmo etc. A dor era tanta que a minha vontade era cair deitada no chão. As articulações todas doíam, especialmente o quadril, pelo fato de ter corrido toda desequilibrada para minimizar a dor no joelho. A pele, de tão inchada (terminei a prova com uns 7kg a mais) parecia que ia rasgar, de tanto que sentia esticada. Era como se o meu corpo não coubesse na minha pele. TUDO doía intensamente, do queixo aos pés, encharcados de lama e chuva.

Diante de tanto sofrimento, eu apenas queria minimizar o tempo para tudo acabar. Mas eu simplesmente não conseguia mais correr. Os joelhos não dobravam, os braços e mãos estavam inchados demais e eu não conseguia fazer o movimento para correr, e os meus pensamentos estavam todos desordenados. Às vezes eu chorava sem perceber, às vezes me perdia nas contas de quantos km faltavam. A sensação que eu tinha era de estar sendo levada, de alguma forma, sozinha, em uma praia cinzenta, chuvosa, sem enxergar o pórtico da chegada. Eu apenas ia, na esperança de, a cada passo, poder enxergar a razão de tudo aquilo: os pacientes.

O infinito da praia era desesperador. As dores eram horríveis. Naquele ponto, já não era mais o joelho ou estômago. Era um mal estar geral, uma rigidez no corpo que, mais tarde, no hospital, descobri se tratar de algo muito sério e letal chamado rabdomiólise. Foi doloroso e inexplicavelmente transformador. Eu não pensei em desistir, mas desejava, a cada segundo, poder enxergar o pórtico de chegada, para poder abraçar todos.

E, assim, vencendo todas as barreiras, ao lado da Marina, que seguia carregando minha água, minha comida e me transmitindo coragem o tempo todo, avistei, de longe, uma pessoa acenando para nós. Era a Cris Uehara, sorridente, feliz. Apesar de eu estar quase inconsciente naquele momento, lembro exatamente das palavras dela: tem um monte de gente te esperando lá. Foi o que bastou para eu entender que eu estava quase “lá”, no fim da jornada, na cereja do bolo, no abraço e no sorriso que tanto sonhei.

Poucos minutos depois, vi o Ricardo, meus amigos e a equipe de apoio, que vieram filmando e correndo comigo. Olhei para o relógio da prova e li “10 horas, 50 e poucos minutos”. Nós tínhamos 11 horas para terminar e chegamos na risca. Foi um alívio.

Quando passei pelo pórtico, desabei a chorar, apoiada na grade. Eu nem tinha visto que os pacientes estavam mais à frente na área coberta. Eu só chorava,acabada, com muita dor, física e emocional. Quando levantei minha cabeça, ouvi uma multidão gritando “Paula, Paula, Paula”. Até hoje choro de lembrar. Lá estavam eles, a razão de tudo, a minha força nos 75km, os pacientes e familiares, que saíram de diversos locais do Brasil, apenas para nos prestigiar. Faltam palavras para verbalizar o que eu senti. A rigidez do meu corpo não me deixava mais dar um passo, a fortaleza da minha mente já havia desmoronado, e eu chorava sem parar. Cada um deles se aproximou para me dar um abraço e agradecer.

Sem dúvida, uma das emoções mais fortes que já senti. A hipertensão pulmonar levou a minha mãe para sempre, mas me trouxe muitas pessoas maravilhosas. Posso dizer que me senti inteiramente amada naquele momento, e só tenho a agradecer por ter tantas pessoas ao meu lado. Não foram apenas pacientes, mas familiares, amigos e pessoas que nem sabiam o que era hipertensão pulmonar até conhecerem o Team PHenomenal Hope Brasil. Não há nada mais incrível do que sentir a força da união e do amor. É transformador, acredite.

Maratona Olímpica Rio 2016

queniana maratona rio 2016

A mais importante maratona de 2016 não será nenhuma das tradicionais maratonas mundiais, como a maratona de Nova York, Boston, Berlim, Londres ou Chigago, as conhecidas Marathon Majors (WMN). Também não será a vez das postulantes Roma, Paris, Tóquio, Atenas e nem Cidade do México. A grande maratona de 2016 é Olímpica, e é no Rio de Janeiro, Brasil. É a Rio 2016. No feminino, a queniana Jemima Jelagat Sumgong conquistou a vitória no Rio de Janeiro com o tempo 2h24min04s. A prova masculina também teve a vitória de um queniano. No Quênia, a corrida e a maratona são o principal esporte nacional. O vencedor masculino foi Eliud Kipchoge, com Feyisa Lilesa da Etiópia na segunda colocação e o americano Galen Rupp em terceiro.

maratona eliud kipchoge rio 2016

Corrida Mountain Do Praia do Rosa

Circuito de Charme – Sábado, 2 abril 2016

Mountain Do Praia do Rosa 1

Sou um pouco suspeito para falar do Mountain Do, pois como já disse em outros posts, essa é uma das minhas provas favoritas. Porém, vai ser meu primeiro Mountain Do na Praia do Rosa (os outros foram na Lagoa da Conceição, Florianópolis). Conheço bem o local, pois ia surfar no Rosa quando era adolescente. Desta vez vou unir a corrida com aquela paisagem exuberante e de tirar o fôlego. Por isso mesmo, recebi o convite para fazer a cobertura da corrida – e correr! – com muita satisfação.

Como sempre, a estrutura de um Mountain Do promete ser caprichada. Já são mais de mil atletas inscritos para participar do Mountain Do Praia do Rosa em Imbituba, Santa Catarina, no sábado, 4 de abril de 2016. Conhecido como Circuito de Charme, a prova, que ocorre também no Costão do Santinho, em Florianópolis, é realizada nos Costões do Rosa Norte e Rosa Sul, passando pelas dunas, trilhas e beira da praia.

Mountain Do Praia do Rosa 2

É a maior prova de corrida de montanha do Brasil, com desafio que envolve natureza, saúde e aventura. Os corredores amadores e profissionais participam das modalidades individual e de revezamento, com distâncias que variam entre 4 e 42 km.

Esta é a sétima edição do evento na Praia do Rosa e, de acordo com Paulo Louro, coordenador do Núcleo de Turismo Sustentável do Rosa, o evento está consolidado no calendário de eventos do local. “Todos adoram esse evento, tanto os atletas, quanto os empresários locais, pois estimula a saúde, valoriza a nossa região e acaba atraindo visitantes fieis para o litoral catarinense” explica.

Pousadas e Resorts da região já contabilizam lotação máxima com a chegada dos corredores no próximo final de semana, com expectativa de mais de duas mil pessoas participando do evento, entre familiares, competidores e organização.

Mountain Do Praia do Rosa 5

Serviço:

Mountain Do Praia do Rosa – Circuito de Charme

Sábado, Dia 02/04

Horário da Largada: 14 horas e 30 minutos.

Mais informações: http://www.mountaindo.com.br/provas/praia-do-rosa

Corrida Indomit Bombinhas 2015

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Dia 15 de agosto de 2015, as 8 horas, será dada a largada para uma das provas mais bonitas do Brasil. Já corri em diversos cenários deste país e fora dele, mas poucos com visuais tão deslumbrantes como a região da Costa Esmeralda, em Santa Catarina. Ainda não corri essa prova, mas frequento há muitos anos as praias de lá, por onde já pedalei, surfei e corri bastante. O circuito é puxado, com terreno extremamente acidentado, o que exige cuidados extras. Para informações completas, clique aqui e boa aventura. Uma ótima corrida!

 

Corrida, natação, pedal: isso é Ironman Brasil 2014 em Jurerê Internacional

ironman brasil jurere internaiconal 2014

Jurerê Internacional oferece mais uma vez o cenário perfeito para o Ironman Brasil. Águas claras e limpas, ruas planas e arborizadas e clima ameno favorecem a prova que desafia todos os anos os melhores atletas do triathlon mundial.

Bairro Residencial de Jurere Internacional, Florianopolis, Santa Catarina, Brasil

A largada deste domingo, 25 de maio, promete temperaturas um pouco mais baixas, na faixa dos 15 graus, mas o clima esquenta no decorrer do período. Para percorrer os 3.800 metros de natação, 180 km de bicicleta e 42 km de corrida, os 2.000 atletas inscritos neste Ironman Brasil, em sua 14a edição em Jurerê Internacional, contarão com a fiel e já tradicional torcida que comparece com força e alegria para incentivá-los.

ironman brasil jurere internaiconal largada

É uma das belas partes da festa. Veja mais detalhes e no blog de Jurerê Internacional, clicando aqui! Mas antes, dá só uma conferida nesse vídeo do Ironman Brasil 2013!

INDOMIT Costa Esmeralda 2014. Mais que corrida, superação!

 

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17 de Maio de 2014

Dia 17 de maio a Costa Esmeralda, que abriga algumas das praias mais bonitas de Santa Catarina, vai sediar um evento EXTREMO: o INDOMIT 2014. Coloque seu espírito de aventura no barro, na água e em alguns dos piores e mais acidentados terrenos que você já pisou. Coloque sua resistência à prova e faça um circuito individual do tamanho da sua capacidade e na altura de seus treinos. Escolha entre 100K, 84K, 65K, 50K, 21K ou 12K e atire-se no INDOMIT Costa Esmeralda 2014!

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LARGADAS: veja tabela de horário e local de acordo com distâncias. Clique aqui!

CHEGADA: Rua Manoel Felipe da Silva, nº 24 – Centro – Porto Belo – SC  ( Referência: Pier de Porto Belo).

ENTREGA DE KITS: 15 e 16 de Maio de 2014 – Horário dia 15 (14h00 às 20h00) e dia 16 (10h00 às 19h00). Local: Morada do Mar Hotel: ( Av. Leopoldo Zarling, 1221 – Praia de Bombas – Bombinhas – SC)

PREMIAÇÃO: 18 de Maio de 2014 – Horário 10 horas. Local a definir.

 

Calendário Corrida 2014

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Saiu o calendário de provas 2014 da Sport Do, que traz algumas das provas mais emocionantes do Brasil e América Latina. Muitas delas eu já participei, descrevi aqui no Blog de Corrida, e recomendo. Vale a pena conferir todos os detalhes no site da Sports Do e preparar a agenda para se divertir. Boas provas e um EMOCIONANTE 2014 para todos!